MALUF ASSINA CONTRATO COM A FRANÇA

Um contrato de US$140 milhões de financiamentos da França, em cinco anos, assinado no governo de Paulo Maluf (SP), endossado por seu então secretario da fazenda, Afonso Celso Pastore, hoje presidente do Banco Central, e pelo proprio ministro do planejamento, Delfim Neto, deixou a nova diretoria da ELETROPAULO (Eletricidade de São Paulo S/A) em situação delicada. Enquanto os franceses e as autoridades brasileiras pressionavam a empresa a cumprir o compromisso, a industria nacional, por meio da Associação Brasileira da Industria Eletrica e Eletronica (ABINEE), se recusava a assinar o acordo de participação nacional relativo ao projeto de ampliação e modernização do sistema de bombeamento do rio Pinheiros e dos sistemas de distribuição de energia eletrica. Apesar dos esforcos do Banco do Brasil, atraves da CACEX, para obter um consenso, o acordo revelou-se inviavel, pois não foi possivel à ELETROPAULO conciliar a condicionante estipulada pela ABINEE para assinatura do acordo com os interesses do financiamento frances. A ABINEE insiste na obrigatoriedade de licitação dos fornecedores no mercado nacional. Agora, o impasse continua. Uma carta da CACEX de 31/10/83 à ELETROPAULO considera a negociação encerrada. O contrato está assinado: os franceses não abrem mao do credito comprador de US$70 milhões para aquisição de equipamentos na França; em contrapartida, a industria nacional exige a compra de outros US$70 milhões no mercado interno, mas totalmente livres de vinculação aos consorcios franco-brasileiros e não US$33 milhões vinculados e US$37 milhões livres como o estipulado no contrato. Caso o impasse não se resolva-- falta apenas uma definição dos franceses, porque a industria nacional não cede à exigencia de licitação total-- a ELETROPAULO terá de arcar com uma multa, por rompimento do contrato, de US$5 a 6 milhões (O ESP).