RELATÓRIO DENUNCIA SNI

O governador José Aparecido de Oliveira recebeu relatório da comissão de sindicância por ele designada há três meses para apurar irregularidades na aquisição de terras em Brasília. A comissão sugere que abra amplo inquérito administrativo no Distrito Federal e se dirija à Presidência da República solicitando a apuração do envolvimento de altos funcionários de administrações passadas, do SNI, do Conselho de Segurança Nacional (CSN) e do Gabinete Militar. Segundo as informações, contra diversos militares, especialmente ligados ao ex-presidente João Figueiredo, a comissão colheu depoimentos comprometedores. Citam-se, entre eles, os coronéis Alzir Nunes Gay, que quase foi nomeado governador de Brasília, e Dias Dourado, chefe da ajudância de ordens do Palácio do Planalto entre 1979 e 1985. Esses dois militares serviam no SNI durante o governo Ernesto Geisel. O chefe do órgão era o general João Figueiredo. Gay e Dourado chegaram a convocar procuradores do Distrito Federal e a ameaçá-los de que, se continuassem a tentar apurar irregularidades na aquisição de terras por oficiais do SNI, seriam acusados de fazer parte de um movimento comunista internacional com o objetivo de "desmoralizar a revolução de 64". Naquele período, entre vários condomínios irregulares, destacou-se o Quintas da Alvorada, cujos condôminos eram quase todos coronéis e generais, encabeçados pelo general Arnaldo Calderari. Apesar de situada em área já desapropriada para fins sociais, a "Quintas da Alvorada" foi autorizada pela administração Elmo Serejo, do Distrito Federal. Ações contra sua instalação desapareceram dos arquivos da Companhia de Águas de Brasília e a Procuradoria Geral, pressionada, não pôde agir na Justiça. O relatório da comissão de sindicância também faz menção ao fato de o general Danilo Venturini haver adquirido terras em área já desapropriada e, mais, de ter a administração do governador José Ornellas feito baixar a cota de uma represa a ser construída (São Bartolomeu), que inundaria parte dessas terras. Com a mudança elas ficariam super valorizadas. Integraram a comissão de sindicância, o secretário de Administração de Brasília, Walter Moura; o procurador da República, Carlos Eduardo Vasconcellos, o procurador do Distrito Federal, José de Campos Amaral; o engenheiro Luís Fernando Carvalho; o corretor Aref Assreuy; a arquiteta Tânia Siqueira; o ecologista Benjamin Sicsu; o funcionário Assis Utsch e o jornalista Carlos Chagas, diretor da sucursal do jornal o Estado de São Paulo em Brasília (O ESP).