Apos a reconstituição, ontem, da morte por enforcamento do operario Aezio da Silva Fonseca, na cela 6 da 16a. Delegacia Policial, o juiz Alberto Motta Moraes, da 1a. Vara Auxiliar do Juri, formulou quesitos sobre a viabilidade do suicidio, para que tecnicos do ICE (Instituto de Criminalistica Carlos Eboli) e do IML (Instituto Medico Legal) respondam no prazo de 15 dias. O juiz baseará sua decisão nos informes cientificos das duas instituições. Motta Moraes indagou, em sintese, ao perito do ICE e aos legistas do IML, se seria possivel a Aezio, com duas costelas fraturadas há 36 horas-- tempo transcorrido entre os espancamentos que sofreu e o momento da morte--, dispender o esforco fisico constatado na reconstituição, para conseguir enfiar a cabeca na alca formada pela calca amarrada na segunda barra da janela da cela, e suicidar-se por enforcamento. Aezio da Silva Fonseca foi preso no dia 20 de julho de 1979, no Itanhangá Golfe Clube, onde era servente, acusado pelo cunhado, Delair da Silva Fonseca, de haver espancado a filha, Jacineia, de 12 anos. Na manha de 22 de julho-- dois dias apos a prisão-- Aezio foi encontrado morto na cela 6, por enforcamento. Sete dos doze policiais denunciados pelos crimes de abuso de poder e violencia arbitraria contra Aezio, preso sem ordem judicial ou flagrante, foram condenados a penas diversas pelo juiz Alvaro Mairynk da Costa, da 7a. Vara Criminal do Rio de Janeiro. Os policiais recorreram e foram absolvidos pelo Tribunal de Alcada, cuja decisão foi endossada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (FSP).