A MASSA SALARIAL DO PAÍS

A massa salarial do pais dentro do chamado mercado formal-- pessoas trabalhando com registro em carteira-- está, segundo os dados do Ministerio do Trabalho, em Cr$1,5 trilhão. Este é o volume que o governo não quer que cresca acima dos 80% do INPC, a cada semestre. Esta massa de salarios está distribuida de forma altamente desigual, o que possibilita ao governo uma gama variada de formulas. Nestas se inscreve uma variação de 100% do INPC para ganhos de até 3 salarios minimos e variações menores para as outras faixas de até 20 salarios. Se fossem concedidos reajustes de 70% para os trabalhadores de 3 a 20 salarios, por exemplo, as exigencias do FMI estariam sendo atendidas, como asseguram os assessores do ministro Murilo Macedo. É uma informação facilmente sustentavel nos percentuais de cada faixa na massa total dos Cr$1,5 trilhão de salarios. As pessoas que recebem de 1 a 3 salarios minimos-- por exemplo-- representam 67,3% do total de 16 milhões novecentos e sessenta e tres mil quinhentos e cinquenta e seis trabalhadores regulares do pais. Elas representam, no entanto, apenas 31,4% da renda total. O restante vai para os empregados de tres salarios para cima. Somente as pessoas que ganham acima de 20 salarios minimos-- uma pequena faixa de 1,5% da mao-de-obra ativa regular-- fica com 12% de toda renda, contra, por exemplo, os assalariados de 2 a 3 salarios-- 18,8%-- que ficam com 13,2% do total da renda. Em numero de trabalhadores isto representa 249266 pessoas abocanhando quase a mesma fatia salarial de tres milhões cento e oitenta e cinco mil cento e oitenta e seis operarios. Estas "distorções" é que provocam os atritos dentro da area economica diante das inflexibilidades das formulas geradas nos Ministerios do Planejamento e Fazenda. Se o governo optasse por apresentar uma formula que reajustasse em 100% do INPC os trabalhadores de 1 a 3 salarios, estaria atendendo, pelo menos, a 11,4 milhões de pessoas: as exigencias do FMI recairiam sobre os 5,5 milhões restantes na forma de apenas 70% do INPC, ou fragmentando-se este percentual em faixas (FSP).