O candidato à sucessão estadual paulista pelo PT, Eduardo Matarazzo Suplicy, e o advogado do partido, Luís Eduardo Greenhalgh, denunciaram a adulteração e falsificação de documentos no inquérito policial instaurado para apurar as responsabilidades pela morte de duas pessoas no conflito entre policiais e canavieiros da cidade de Leme. Constatou-se nos depoimentos das 150 pessoas ouvidas no inquérito, dois boletins de ocorrência contraditórios sobre o mesmo episódio, ambos assinados pelo mesmo delegado, João Batista Dias da Costa. No primeiro, preenchido em boletim de ocorrência da Secretaria de Segurança Pública, não há qualquer referência a disparos de armas de fogo, nem ao automóvel da Assembléia Legislativa a serviço de parlamentares do PT, mas apenas às pedradas desferidas pelos trabalhadores em greve contra o ônibus interceptado por um piquete. No segundo, em papel timbrado da Secretaria de Segurança, baseado em declarações do motorista do ônibus e outras testemunhas não identificadas, o delegado João Batista afirma que o ônibus, ao passar pelo piquete foi abordado por um carro, cujos ocupantes passaram a desferir tiros em direção ao ônibus, onde duas pessoas morreram (JB).