O economista Marco Antonio de Souza Aguiar, do Instituto Brasileiro de Analises Sociais e Economicas (IBASE), denunciou ontem em Brasilia, durante o seminario sobre o desemprego que está sendo promovido pela Camara dos Deputados, que a taxa de desempregodivulgada mensalmente pelo IBGE nao corresponde `a realidade. A explicacao é a seguinte: o IBGE, ao fazer o levantamento sobre o desemprego, nao considera como desempregado aquele trabalhador que perdeu o emprego e passou a trabalhar como biscateiro,computando apenas como desempregado trabalhador que nao exerce nenhuma atividade de subsistencia. Essa seria entao a taxa de desocupacao e nao de desemprego, o que provoca uma reducao tecnica no numero de desempregados do pais. Mas, segundo Aguiar, mesmo a taxa de desocupados tem crescido. De acordo com dados do IBGE, a taxa de desocupacao em 1976 era de1,84%,passando para 4,26% em 1981. Alem disso, o percentual de trabalhadores com carteira assinada tem caido sensivelmente. Em 1976, 18% dos trabalhadores na agricultura tinham carteira assinada; em 1981 esse percentualbaixou para 13%. Na industria, em 1976, 83% dos trabalhadores tinham carteira assinada, em 1981 esse percentual era de 77%. Os dados da Relacao Anual de Indicadores Sociais (RAIS) demonstram tambem que houve uma queda na oferta de empregos formais. Na industria, por exemplo, houve uma queda de 5,7% no nivel de desemprego entre 1980 e 1981. Por outro lado, dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicilio (PNAD) registram um crescimento deapenas0,75% dos empregos formais, enquanto o subemprego aumentou7,8%. Tambem aumentou o numero de pessoas que ganham até um salario minimo e, para agravar a situacao, o salario minimo perdeu a metade do seu poder aquisitivo em relacao a 1982. Marco Antonio de Souza Aguiar, em fevereiro deste ano, pediu demissao do cargo de diretor-tecnico do IBGE por nao concordar com a nao divulgacao dos expurgos do INPC (GM).