Depondo na CPI que investiga o escandalo da CAPEMI, o ex-advogado da empresa, Adeodato Dantas, afirmou que, no primeiro semestre do ano passado, foi procurado por Alexandre Von Baumgarten, que lhe solicitou autorização para realização de pesquisa mineral na região de TUCURUI, justamente na area onde a CAPEMI estava fazendo a exploração de madeira. Segundo ele, foi a partir desse instante que tomou conhecimento de que a empresa estava tambem interessada em exploração mineral, pretendendo, para isso, utilizar recursos dos seus contribuintes. Revelou ainda o advogado Adeodato Dantas que, em 15 de junho do ano passado, o diretor-presidente da Capemi Agropecuaria, general Ademar Aragao, requereu ao ministro do planejamento e presidente do Conselho Interministerial do Programa Grande Carajas, Delfim Neto, a concessão de incentivos fiscais para a empresa, em face de sua atuação localizar-se na area geo-economica abrangida pelo Projeto Carajas. De acordo com Adeodato Dantas, a CAPEMI chegou a contratar a GEOCONSULT, uma firma da Bahia, para promover as pesquisas minerais, envolvendo basicamente ouro, diamantes, vanadio e cassiterita. Contudo, esse fato foi mantido em sigilo por muito tempo e, apesar dele ter recebido a confirmação do proprio diretor da firma, posteriormente esse diretor se desdisse, afirmando que estava na area de TUCURUI pesquisando agua para a CAPEMI. Denunciou tambem contratos de publicidade realizados entre a Capemi Agropecuaria e varias empresas, cobrindo servicos jamais realizados. Citou um desses contratos, no valor de Cr$500 milhões, para dar cobertura publicitaria a um livro sobre o indio brasileiro, o qual, conforme afirmou, jamais foi publicado (FSP).