SETOR PÚBLICO PRECISA DEMITIR

Uma expressiva dispensa de mao-de-obra no setor publico, como unica solução tecnica para resolver os problemas orcamentarios das empresas estatais até o final deste ano, é apontada pelos assessores mais ligados ao ministro do planejamento, Delfim Neto. As empresas do governo, em grande maioria, de acordo com informações destes assessores, atingiram praticamente seu limite de disponibilidade de recursos para 1983 e estão alcancando o teto permitido para captação de emprestimos internos, regulamentada pela resolução 831, do Banco Central. A COMOR (Comissão de Acompanhamento do Orcamento Publico) já esteve reunida discutindo o problema das estatais (a PETROBRAS, a SIDERBRAS e a ELETROBRAS, já pediram adicionais orcamentarios), e seus componentes não veem nenhuma solução tecnica que seja tambem politica. "O remedio é demitir, mas esta é uma decisão politica, de governo. Caso contrario, o acordo com o FMI estará comprometido", observou um integrante da COMOR. Os orcamentos das empresas foram calculados, por elas mesmas, considerando uma inflação anual de 100%, que era a projeção oficial do inicio do ano. Agora, como a inflação minima admitida oficialmente é de 155%, os orcamentos ficaram defasados. O FMI, apesar de ter revisto seu numero com relação ao deficit do setor publico, não aceitou incorporar novos aportes de recursos para as estatais, segundo assessores da SEPLAN (FSP).