CASO DAS POLONETAS COINCIDE COM OUTROS ESCÂNDALOS

Os fatos-- na serie de reportagens do jornal "O Estado de São Paulo" sobre a divida da Polonia com o Brasil-- estão pondo a mostra que o descontrole do Banco Central é generalizado. Operações relativas às atividades da COMEXPORT na Polonia, que resultaram nas promissorias incobraveis; renegociação dessas promissorias com a intermediação do Banco Frances de Comercio Exterior, por iniciativa de José Pinto Ramos, em colaboração com o embaixador Botafogo Goncalves, envolvendo novos negocios da COMEXPORT, no eixo Varsovia/Paris; aquisição da FIBRA por um valor muito superior ao capital registrado como investimento externo, numa evidente fraude cambial; intermediação na obtenção de recursos para essa aquisição, atraves do mesmo grupo (VICUNHA) envolvido nos financiamentos que possibilitaram as irregularidades da CAPEMI; tudo isso, por coincidencia, envolvendo um grupo assessorado por PECORA LEAL que, no pais, é vinculado aos negocios COROA/BRASTEL. Na edição de 27 de marco passado, o jornal "O Estado de São Paulo" revelou que uma nota promissoria em branco foi entregue pela Agropecuaria Capemi ao Banco Nacional de Credito Cooperativo, entidade financeira oficial, como uma das garantias da fianca concedida no emprestimo externo feito pelo Banco Nacional de Paris no valor de US$25 milhões aprovado pelo Banco Central. Os desmandos da CAPEMI, caracterizados pelas "capenetas" levaram o sistema financeiro nacional a enfrentar um prejuizo da ordem de US$150 milhões, alem das perdas comerciais da madeira da Amazonia e dos danos ao projeto de Tucurui. Os desmandos do Banco Central caracterizados pelas polonetas, representam um prejuizo de US$1,8 bilhão. Se ve ainda nesta serie de reportagens como o Sr. Carlos Langoni deixou escapar a surpreendente revelação de que estava ocorrendo uma continua perda de depositos e isto poderia arruinar toda a viabilidade do programa externo, estabelecendo dessa maneira, "uma verdadeira simbiose" entre o destino de cada agencias bancaria e o destino do programa externo para 83, pois "a continuidade do vazamento levaria fatalmente ao malogro das negociações brasileiras já que as reservas acumuladas pelo Banco Central estariam sendo desviadas para cobrir as perdas dos bancos brasileiros lá fora", deixando o pais sem divisas e sem perspectiva de novos ingressos, o governo teve de adotar uma medida capaz de estancar rapidamente a saida de dolares do pais: "a maxi foi portanto condição essencial para que pudessemos chegar até a ata da assinatura do nosso plano financeiro". A explicação para a maxidesvalorização do cruzeiro dada pelos ministros do planejamento e da fazenda, reiterada em seguida pelo presidente Joao Figueiredo, era a de que, a exemplo de outros paises, o Brasil precisava acelerar as suas exportações e dar uma demonstração de que conseguiria um saldo de US$6 bilhões na balanca comercial (O ESP).