O CASO DAS POLONETAS

O jornal "O Estado de São Paulo" inicia hoje uma serie de reportagens sobre a historia de como a Polonia chegou a dever quase US$2 bilhões ao Brasil. Este escandalo é talvez o exemplo mais claro das conexoes que se estabelecem entre representantes do setor privado e do governo para o assalto sem puder do Tesouro Nacional. Ilustra sem qualquer possibilidade de disfarce como se age, em Brasilia e em outros meios, para fazer do regime o escudo atras do qual se acoberta a corrupção. Partindo da analise dos entendimentos acertado com a Polonia, a reportagem irá tracar um roteiro de operações ilicitas, passando por Paris, Berlim, Milao, Bahamas e outros centros comerciais do mundo socialista e capitalista, onde atuaram missões oficiais enviadas pela Coleste do Itamaraty, pela Secretaria Geral da Fazenda ou pela Assessoria Internacional da SEPLAN. No desvendar desta historia, descobre-se que a missão a Varsovia, do secretario-geral da fazenda Eduardo de Carvalho, as negociações sigilosas do ministro Delfim Neto e do secretario-geral da CACEX, José Flavio Pecora; os entendimentos efetuados pelo embaixador José Botafogo Goncalves; enfim todos os pacotes ajustados com a Polonia desde 1978 favorecem basicamente aos interesses de uma "trading" privada, a COMEXPORT S/A; esse favorecimento traduziu-se em uma doação de recursos e mercadorias, alem de investimentos a fundo perdido e subsidios em juros num montante em dolares superior aos atuais debitos atrasados do Banco Central. Apurou- se tambem que a Polonia adquiriu e tomou emprestimos no Brasil sem assumir compromissos juridicos, mas fazendo apenas meras promessas politicas, por acaso escritas em impressos usualmente utilizados para emissão de notas promissorias. Outros personagens envolvidos: o secretario-executivo da Coleste, ministro Rubens Barbosa; o chefe da assessoria internacional do Ministerio da Fazenda; Mauricio Conhen da INTERBRAS; Henrique Guitton, do Ministerio do Planejamento; Marcelo Silva, do Ministerio dos Transportes e Augusto Lima da PETROFERTIL (O ESP).