A manipulação do Indice do Custo de Vida em 1973 levou os trabalhadores de todo pais a uma perda salarial acumulada de 46,5%, durante os anos de 1972, 73 e 74. Esta foi a conclusão do laudo pericial apresentado à 7a. Vara da Justica Federal em São Paulo-- para ser anexado ao processo que o Sindicato dos Metalurgicos de São Paulo move desde 1977 contra a Fazenda Nacional--, divulgado ontem pelo presidente da entidade, Joaquim dos Santos Andrade, e pelo presidente do Departamento Intersindical de Estatistica e Estudos Socio-Economicos (DIEESE), Walter Barelli, assistente tecnico do processo. É a primeira vez que se divulga, oficialmente, a tabela de variação de precos de dezembro de 72 a dezembro de 73, utilizada, na epoca, pelo Departamento Nacional de Salarios (orgao do Ministerio do Trabalho) para estabelecer o Indice do Custo de Vida, baseada na elevação de precos de 30 produtos basicos de alimentação em 13 capitais. Estes calculos eram transcritos em publicação considerada confidencial. A tabela mostra a manipulação do ICV pelo Ministerio do Trabalho, que entre outras coisas computou a alta dos precos do feijao, em Florianopolis (SC), que foi de 337,86% no periodo, como se fosse uma alta de apenas 46,59%. Em Recife (PE), o aumento real do mesmo produto foi dez vezes maior do que considerado no indice, 126,42% contra 11,84% computados. Em São Paulo, o aumento real de carne bovina sem osso, de 67,33%, teve uma variação considerada de 15,25%, restando uma diferenca de 52,08% não considerada no indice do ministerio (FSP) (JB).