ASSEMBLÉIA ABRE CASO DA FREGUESIA DO Ó

Há tres anos São Paulo assistia à ação de milicias paramilitares organizadas pelo Estado em defesa do então governador Paulo Maluf para evitar que ele fosse vaiado por cerca de 500 manifestantes durante o governo da integração na Freguesia do Ó, como já havia acontecido dias antes em outros bairros. Na semana passada, o caso Freguesia do Ó foi reaberto na Assembleia Legislativa, enquanto os inqueritos e processos para apuração de responsabilidades se arrastam na Justica e na Policia. O deputado Fernando Morais (PMDB), atualmente vice- presidente da Assembleia Legislativa, deu entrada na terca-feira a um requerimento de urgencia para que fosse votado o relatorio final da Comissão Especial de Inquerito instalada em agosto de 80. A CEI encerrou seus trabalhos em janeiro do ano seguinte, mas suas conclusões-- que incriminam o então governador Paulo Maluf, seu secretario de Seguranca Publica, Otavio Gonzaga Junior, e o prefeito Reinaldo de Barros, por crime de responsabilidade, alem de oferecer denuncia contra oito oficiais e soldados da PM, 30 funcionarios publicos municipais-- não seriam levadas a plenario, engavetadas que foram pelo presidente Januario Montelli Neto, do PDS. A obstrução parlamentar acabou prejudicando tambem os trabalhos da justica e da policia, que não conseguiram obter as 138 fotografias anexadas ao relatorio final para que as testemunhas pudessem fazer o reconhecimento dos agressores. Mas, nos proximos dias, o projeto de resolução e propostas da Comissão Especial de Inquerito aprovado pela Assembleia Legislativa, já que agora o PMDB e o PT contam com ampla maioria (FSP).