SARNEY DIZ QUE HAVIA PLANO PARA PARALISAR O PAÍS

O presidente José Sarney disse, ontem, em Brasília, que "havia um plano para paralisar o país neste mês de outubro, engendrado pelas esquerdas radicais para causar o caos social e, dele, conduzir à crise política, com evidentes implicações eleitorais em novembro. Esse plano previa o sucesso de um sem-número de greves de sentido político, em setores essenciais da economia. Viria mesclado com a agitação orquestrada no campo, com invasões de terras em todas as regiões onde se registram conflitos". "Não houve, porém, receptividade, já que o país, mais do que o governo, encarregou-se de frustrar as intenções dos agitadores: as greves não vingaram e as invasões malograram, tudo por falta de respaldo popular. Nem operários nem camponeses deram ouvidos a agitadores, sendo que o poder público também atuou, garantindo o direito de trabalho a quem quisesse trabalhar e impedindo a maior parte das invasões de terras". Sarney disse estar "satisfeito diante da reação nacional de bom senso diante de extremados, entre os quais a CUT (Central Única dos Trabalhadores)". O presidente da República disse ainda que "a agitação estava planejada por grupos radicais, inclusive exposta em documentos". Para ele, "se a greve dos bancários tivesse dado certo, em setembro, prolongando-se até agora, movimentos mais fortes se seguiriam visando obturar o sistema econômico-financeiro". E acrescenta: "tentaram paralisar a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e, se o tivessem conseguido, logo atingiriam a COSIPA e outras siderúrgicas. Malograram na greve do porto de Santos, o que, se alcançasse sucesso, se espalharia por outros pontos do país. Fracassaram, também, na greve dos Correios e Telégrafos, e pretendiam, com ela e com a greve dos previdenciários, chegar ao clímax" (O ESP).