MASSA SALARIAL DEVERÁ FICAR ENTRE 17% E 19% ESTE ANO

A secretária de emprego e salário do Ministério do Trabalho, Dorothea Werneck, informou que o crescimento da soma dos salários pagos ao longo de 1986 não deverá superar o índice registrado no ano passado (19%), apesar das estimativas iniciais do governo prevendo uma elevação da massa salarial de 30% em consequência da conversão dos salários para cruzados no mês de março último. "O incremento da massa salarial neste ano deverá ficar entre 17% e 19%, resultado de um aumento previsto de 6% no mercado de trabalho formal, aliado ao crescimento do salário real médio no setor industrial paulista em torno de 12%". As previsões do Ministério do Trabalho indicam que o crescimento do nível de emprego no setor empresarial não agrícola, compreendido pela indústria de transformação, construção civil, serviços e comércio, deverá chegar a 6% até o final do ano, o que significará a criação de 1,2 milhão de novos postos de trabalho. Nos sete primeiros meses deste ano, o Ministério do Trabalho contabilizou o surgimento de 670 mil novos empregos. Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE), o comportamento de salários, empregos e da massa salarial não chega a ser uma novidade. Segundo pesquisa realizada na Grande São Paulo, a massa salarial cresceu 20,3% entre o primeiro trimestre deste ano e no mesmo período de 1985. Ou seja, o total de salários pagos passou de Cz$11,4 bilhões em janeiro de 1985 para Cz$14,1 bilhões em março de 1986. Para o DIEESE, o aumento reflete muito mais uma retomada apreciável no nível de emprego, estimado em 12,6%, no período, que uma recuperação de salários, calculada em 6,7% (FSP).