O aumento do endividamento a curto prazo do Brasil e a perda de reservas externas a partir da moratoria do Mexico, em agosto de 82, levaram o Brasil a pagar no ano passado a quantia recorde de US$12,6 bilhões a titulo de juros de sua divida externa, segundo relatorio de 1982, divulgado ontem, pelo Banco Central. Essa quantia supera largamente a previsão de gastos de US$10,7 bilhões formulada, em outubro de 82, na programação do setor externo para 1983. Em relação aos US$9,2 bilhões gastos em 81 com juros liquidos da divida (juros deduzidos a remuneração das aplicações das reservas cambiais nos mercados interbancarios) houve um aumento de US$3,4 bilhões (+36,9%). Os indicadores do Banco Central mostram que os juros liquidos da divida dobraram desde os US$6,3 bilhões de 80 e triplicaram frente aos US$4,2 bilhões de 79 (JB).