Waldemir dos Santos, 54 anos, está preso há 26 anos. No carcere, ele perdeu um pulmao, as ilusões, a esperanca. Agora está tuberculoso, não come nada há 5 dias e nem consegue levantar da cama. Seus colegas da segunda galeria do pavilhão Seabra Fagundes levaram-no enrolado em trapos até as grades para reclamar da falta de atendimento. A cena é talvez o melhor retrato do inferno em que vivem os detentos do Instituto Penitenciario Milton Dias Moreira, um dos presidios do complemento da Rua Frei Caneca (JB).