As revisões de calculo, justificadas pela maxidesvalorização cambial, elevam a projeção oficial da taxa de inflação para 1983 dos 70% para 85% a 90%. A projeção da evolução media anual do indice de precos subiu para 100%, substituindo a estimativa anterior de 78%. A redução do deficit publico foi alterada de 7,9 para 8,8% do PIB. O ajuste na politica cambial determina a continuidade do sistema de minidesvalorizações, que poderão superar a inflação trimestral, embora sem nenhum compromisso de que se situem 1% acima da evolução mensal dos precos. São essas as principais modificações contidas no adendo à carta de intenções, que foi enderecada ao diretor-gerente do FMI, Jacques de Larosiere, no dia 24 de fevereiro, levando as assinaturas do presidente do Banco Central e do ministro da fazenda. Assim, como está descrito no texto do documento, a partir de uma data-base, fixada em 28 de fevereiro, ou seja, apos os efeitos da maxi, a taxa de cambio em 15 de abril "será, no minimo, igual" `a inflação medida em marco. Sempre com referencia à data-base, a evolução da taxa de cambio está programada até o final do ano. O governo aceitou a reformulação do calculo do deficit publico de 1982, feito pelo FMI, de 16,9%, substituindo na carta o dado anterior de 13,8%. Os novos tetos trimestrais dos emprestimos cumulativos do setor publico subiram de Cr$1,2 trilhão para Cr$2,8 trilhões, nos primeiros tres meses; de Cr$3,2 trilhões para Cr$5 trilhões, no periodo de abril a junho; de Cr$5 trilhões para Cr$6,6 trilhões, de julho a setembro; e de Cr$7 trilhões para Cr$8,8 trilhões, de outubro a dezembro. Nao há nenhuma menção sobre o comportamento da divida publica. Os dados que representam a grosso modo o total de ativos das autoridades monetarias menos o credito externo na conta das autoridades monetarias, tambem foram revistos: de Cr$4,05 trilhões para Cr$6,15 trilhões, no primeiro trimestre; de Cr$4,65 trilhões para Cr$6,95 trilhões, no seguinte; de Cr$5,15 trilhões para Cr$7,55 trilhões, no terceiro; e de Cr$5,8 trilhões para Cr$8,3 trilhões, no quarto e ultimo trimestre do ano. O endividamento externo liquido só poderá aumentar os US$6 bilhões já programados. Mas o governo acertou com o FMI uma redistribuição no fluxo, elevando as entradas no inicio do ano de US$2 bilhões para US$3 bilhões, no primeiro trimestre; de US$3 bilhões para US$4,5 bilhões, no segundo; de US$4 bilhões para US$5,25 bilhões, no terceiro, mantendo inalterado o dado cumulativo do ultimo trimestre, de US$6 bilhões (GM).