O Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) de Porto Alegre (RS), denunciou, no último dia 14, que o Brasil está exportando material bélico para o Chile em operação via Colômbia. Segundo a denúncia, as armas vendidas serão usadas pelo governo de Pinochet na repressão política, e responsabilizou a empresa Cimasa, de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) que vendeu ao Chile 18 veículos para serem usados pela polícia anti-motins (a empresa desmentiu esta informação afirmando que vendeu para Colômbia). De acordo com o conselheiro do MJDH, Jair Krischke, o veículo é blindado e dispõe de lança-águas, mira e está adaptado para carregar armas pesadas. Krischke acrescentou que estes veículos estão substituindo no Chile os de origem espanhola, que deixaram de ser exportados ao país devido as pressões do governo de Felipe Gonzales. A acusação do MJDH reflete uma preocupação dos movimentos de direitos humanos sobre a expansão da indústria bélica brasileira e nas exportações que se dirigem aos regimes autoritários. Uma das preocupações se baseiam em informações de que o Brasil poderia vender ao Chile US$1 milhão em material bélico, objetivando incrementar as relações comerciais bilaterais. O MJDH já solicitou ao presidente José Sarney que impeça essas exportações. A indústria bélica brasileira optou por disputar o mercado mundial de armas convencionais, como veículos blindados ligeiros, tanques de guerra, armas de infantaria, lança-foguetes e mísseis. Porém, também exporta aviões de treinamento militar, cujo produto de maior êxito comercial é o Tucano, que, segundo peritos do setor, pode ser adaptado para combater guerrilhas. O "Tucano" está sendo vendido a vários países latino-americanos, tais como Honduras, Venezuela e possivelmente Argentina (IPS).