O presidente afastado Fernando Collor de Mello destituiu ontem os advogados que o representavam no processo de Impeachment" e anunciou que não pretende comparecer ao seu julgamento no Senado. Ontem mesmo, o presidente do STF, Sydney Sanches, disse que vai adiar o julgamento para o dia 29, terça-feira da próxima semana. Collor esperava ganhar até 20 dias com a manobra. Em comunicado à Nação, Collor disse que busca "um julgamento justo e imparcial". "Está provado que este senhor não pensa no país", reclamou o presidente em exercício, Itamar Franco, ao saber do artifício. A sessão de julgamento deve ser aberta formalmente hoje às 9 horas, como estava previsto. Na ausência de representantes da defesa de Collor, Sanches deverá designar um advogado dativo e anunciar a nova data do julgamento. A decisão de Collor foi tomada no final da tarde, depois de uma reunião com seus dois advogados, Evaristo de Moraes Filho e José Guilherme Villela, além de senadores e deputados aliados. Evaristo e Villela comunicaram a destituição pessoalmente a Sanches, que preside o Senado durante o processo de Impeachment". Os advogados da acusação, Evandro Lins e Silva e Sérgio Sérvulo, também participaram da conversa. Na saída, Sanches perguntou a Evaristo e Villela se aceitariam ser nomeados dativos. Eles recusaram, mas continuarão atuando na defesa de Collor no STF, no processo por crime comum. O presidente da OAB, Marcelo Lavene`re, disse que Collor está preparando sua renúncia, o que geraria outra controvérsia sobre a continuidade ou não do processo. "Mas isto tudo piora sua situação, porque mostra que é desprovido de um único gesto de dignidade", disse (O ESP) (FSP) (JB) (O Globo).