SENADO APROVA ACORDO DA DÍVIDA

O Senado Federal aprovou ontem, por 43 votos contra dois-- dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Paulo Bisol (PSB-RS)-- o acordo da dívida externa firmado em julho com os bancos credores. Do total de US$56 bilhões, US$50 bilhões se referem ao principal da dívida e US$6 bilhões aos juros atrasados relativos a 1991 e 1992. Com a decisão, a partir de hoje o Brasil passa a pagar 50% dos juros correntes às instituições internacionais, até que o acordo seja assinado, entre julho e setembro de 93. Segundo cálculos do Banco Central, em janeiro, esses pagamentos podem alcançar US$170 milhões. Pelo projeto aprovado ontem, de autoria do senador José Fogaça (PMDB-RS), entre julho e setembro de 93 o acordo voltará à apreciação do Senado no que se refere à escolha do leque de opções feito pelos credores para a troca de bônus da dívida. Segundo Fogaça, a apreciação dos senadores é importante para impedir que a troca de bônus implique uma carga maior de pagamento da dívida. Sobre a posição do Ministério da Fazenda, de que o acordo foi um dos melhores fechados até agora, o senador Eduardo Suplicy comentou que, devido à pressa com que foi discutido, não foi possível examinar as condições do acordo de uma forma mais aprofundada. Ele chegou a sugerir que, até a aprovação do ajuste fiscal, o dinheiro que o país começará a pagar dentro de 10 dias-- que corresponde a 20% dos juros devidos desde janeiro último, mais 50% dos juros da dívida incluída no acordo-- ficasse depositado no BIS (Banco de Compensações Internacionais), na Suíça. A proposta, no entanto, nem chegou a ser apreciada pelo plenário (GM) (O ESP) (O Globo).