DÍVIDA DO GOVERNO NAS MÃOS DO MERCADO CRESCEU 227,42%

A dívida do governo federal com investidores do mercado financeiro cresceu 227,42% entre janeiro e outubro deste ano, atingindo US$37,85 bilhões, ou seja, Cr$427 trilhões. Considerando os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional que estão na carteira do Banco Central, a dívida soma US$123,75 bilhões (Cr$1,4 quatrilhão), o que representa 70% de todo o orçamento da União para 1993. No texto do pleno de curto prazo do governo Itamar Franco, essa dívida é rotulada como inadministrável, a exemplo da dívida externa e do rombo do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS), do SFH. Por isso, o governo define como prioridade a redução dos encargos dessa dívida e o seu alongamento. A política de juros reais altos-- chegaram a 46% ao ano em 92-- fez com que o governo desembolsasse, entre janeiro e outubro, US$863 milhões em encargos dessa dívida, incluindo juros, correção, deságio e comissões para a negociação dos papéis. Essa cifra representa quatro vezes todo o lucro da CVRD no período entre janeiro a novembro deste ano. Parte dos títulos circula no mercado e serve de lastro para aplicações das empresas e pessoas físicas em fundos de renda fixa e fundão, por exemplo. Do total da dívida, US$85,9 bilhões são de dívida da União em mãos do BC. São títulos emitidos pelo Tesouro que o BC não conseguiu ou não quis vender às instituições financeiras e, portanto, guadou em carteira. Só este ano, essa dívida no BC aumentou 13,77%, também em dólar, e significa que o BC entregou ao Tesouro US$10,4 bilhões pela "compra" desses papéis. A` medida que os papéis vão vencendo, o Tesouro vai pagando juros e correção ao BC. Essa é uma forma de financiamento do Tesouro pelo BC, que vem acontecendo de forma acentuada desde o início do governo Collor, apesar de inconstitucional. O BC não pode financiar os rombos de caixa do Tesouro (O Globo).