Sem trabalho e moradia fixa, a população que hoje vive nas ruas das grandes cidades é o retrato mais cruel da miséria, agravada pela recessão econômica e pelo desemprego. Para saber quem é exatamente este povo, a secretaria municipal do Bem-Estar Social de São Paulo realizou durante um ano uma pesquisa inédita. Publicada agora em livro-- População de rua--, pela editora Huciteh, o trabalho traz várias surpresas. Entre elas, a de que o número de moradores de rua-- 3.392 pessoas no Centro de São Paulo-- não é tão grande quanto se imaginava. A maioria delas, entretanto, está há mais de seis meses (e quase metade há um ano e meio) na rua, apesar de ter cursado o 1o. grau. Por tratar-se de uma população extremamente móvel, que se desloca em todos os sentidos em busca de "bicos" temporários, no Brasil ainda não existem dados confiáveis sobre o número de pessoas que vivem nas ruas. O resultado contradiz a visão corrente sobre a população de rua, vista preconceituosamente como analfabeta, nordestina e negra. O grupo mais significativo de moradores de rua é o de homens brancos, com menos de 40 anos, que vivem em grupos ou sozinhos, seguindo de famílias, com crianças. Os negros constituem apenas 20% dos deserdados das ruas. A proporção de analfabetos e semi-analfabetos é de 13%. A maioria cursou o 1o. grau, sem concluí-lo, e 6% iniciaram os estudos do 2o. grau, terminado por 4% dos moradores de rua. Dois por cento deles começaram o curso superior. Com relação à origem, quase 50% dos pesquisados nasceram na região Sudeste. A outra metade se distribui entre as demais regiões do país, com 30% vindos do Nordeste (JB).