GOVERNO ITAMAR DEFINE METAS PARA O CRESCIMENTO

O presidente Itamar Franco aprovou na reunião dos dois últimos dias a volta do crescimento por setores da economia, com investimentos em áreas que geram mais empregos, como construção de casas populares e recuperação de estradas. Itamar concordou ainda em negociar incentivos para alguns setores industriais, desde que eles se comprometam a fazer novos investimentos, aumentar a oferta de empregos e produzir bens mais populares, entre eles confecções, calçados e até automóveis. Haverá ainda incentivos às exportações e a execução de vários programas sociais que amenizem a recessão para as pessoas mais pobres. Somente na recuperação de entradas serão investidos no próximo ano US$2 bilhões a mais do que os US$500 milhões previstos inicialmente. O governo também vai destinar US$1,5 bilhão para a construção de casas populares. Serão utilizados recursos do orçamento, do ajuste fiscal e de empréstimos externos. A expectativa do governo é de que sejam gerados, nestas duas áreas, cerca de um milhão de novos empregos a partir do primeiro semestre de 93. Itamar autorizou ainda a reabertura das discussões das câmaras setoriais, onde serão negociados os acordos com as indústrias para invesimentos e produção menos sofisticada. Agroindústria e fabricantes de carros serão os primeiros a discutir com o governo programas que terão metas trimestrais de produção, emprego, investimentos, produtividade e exportação. Em troca, o governo oferecerá redução gradual da carga tributária, linhas de financiamento específicas e desregulamentação de burocracia. O ministro do Planejamento e Fazenda, Paulo Haddad, anunciou durante a reunião que o Banco Central utilizará os instrumentos normais de mercado para manter a redução gradual das taxas de juros, descartando a possibilidade de intervenções unilaterais. Haddad afirmou que serão adotadas medidas para a retomada do crescimento e a correção das desigualdades sociais. Segundo ele, o presidente está incomodado com números que apontam que 45% da população vivem na miséria absoluta. O ministro disse que serão permanentes os subsídios para as tarifas públicas. As empresas estatais, nos reajustes, terão que adotar índices diferenciados para os consumidores de baixa renda de serviços e produtos básicos, como energia e gás de cozinha. O ministro reiterou que não haverá nenhum tipo de choque (JB) (O Globo).