A reunião dos ministros de Itamar Franco teve, ontem, logo em sua introdução, a leitura, pelo ministro do Planejamento e interino da Fazenda, Paulo Haddad, do documento "Brasil: indicadores sociais", com o diagnóstico das carências sociais do país. Itamar assumiu após um período de queda constante nos gastos com as políticas sociais. Em 91, o valor aplicado pelo governo na área social, equivalente a US$282 por habitante, foi um dos menores dos últimos 12 anos, só maior que o valor aplicado em 84 e 85. Nos últimos três anos, as áreas mais afetadas pela queda de recursos foram educação e cultura, que perderam cerca de 50% de suas verbas, em termos reais; alimentação e nutrição (40%) e saúde (30%). Esse quadro foi agravado pelo crescimento da pobreza no país. As perdas salariais acumuladas de janeiro de 90 a março de 92 chegaram a 48,9%, segundo o documento preparado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). De janeiro de 90 a agosto de 92 a redução na oferta de empregos chegou a quase dois milhões de postos de trabalho, quase metade concentrada na indústria de transformação. Esse número equivale à quantidade de empregos que a equipe econômica de Itamar pretende criar com suas políticas compensatórias e de estímulo à construção civil. O sistema escolar herdado por Itamar também tem dados preocupantes: de cada 100 crianças matriculadas na primeira série, apenas 20 chegam até o fim da oitava série. De cada três alunos matriculados em qualquer ano, dois eram repetentes. A taxa de mortalidade infantil, indicador das condições de saúde e nutrição da população, caiu 40% na última década, mas esse indicador ainda é muito alto em relação a países como Panamá, Chile e Costa Rica. No Brasil, 45 crianças morrem antes de chegar a um ano, para cada mil nascidas vivas, enquanto que, nesses outros países, esse índice é inferior a 25 por cada mil. Entre os desafios do governo, está a desnutrição infantil, que, no Nordeste, aproxima os indicadores brasileiros dos índices encontrados nos países pobres da África. Enquanto em estados como SP e SC o índice de crianças com estatura e peso abaixo do normal é inferior a 6%, no Nordeste essa taxa se aproxima dos 10%, em média (O Globo).