A abertura dos arquivos da Censura Federal, autorizada esta semana pelo Ministério da Justiça, revela pela primeira vez documentos que comprovam a interferência do Serviço Nacional de Informações (SNI) e dos Centros de Inteligência das Forças Armadas na liberação de filmes, peças de teatro e programas de televisão. Um calhamaço de memorandos e mensagens confidenciais misturados à memória da Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP) atestam que os governos militares exigiam que o quadro de censores vetasse as obras ligadas aos intelectuais identificados como comunistas. No rastro dos "subversivos", um dos centros de inteligência chegou a requisitar oficialmente a falsificação de uma carteira da Censura Federal (JB).