Uma importante mudança de comportamento está ocorrendo entre os líderes
52434 empresariais. Os principais, e mais antigos, porta-vozes do neoliberalismo
52434 econômico estão revendo, em público, sua concepção de modernidade"" na economia. Estão reduzindo o volume de suas tradicionais críticas ao Estado. E passando a dizer que o mercado só não basta, não é suficiente como alternativa para o futuro do país". Livre iniciativa é coisa ultrapassada, diz, por exemplo, José Mindlin, do grupo Metal Leve. "Eu sou a favor do Estado intervencionista na economia", acrescenta Boris Tabacof, presidente do grupo Bahia-Sul Celulose. "Aliás, não conheço empresário convictamente defensor do neoliberalismo no Brasil". Muitos pensam assim, há muito tempo. A maioria, porém, adotava uma
52434 postura de conveniência: em público, exaltava o mercado como limite; nos
52434 bastidores atuava para aperfeiçoar a vida econômica do país à sombra da
52434 intervenção estatal. A queda do governo Collor, com a consequente ruína
52434 de seu programa econômico neoliberal e a ascensão de Itamar Franco ao
52434 poder-- um político de perfil nacionalista--, está levando uma parcela
52434 significativa (e crescente) dos empresários a essa mudança de
52434 comportamento. O que havia, até agora, é uma posição envergonhada do empresariado, interpreta Emerson Kapaz, líder do PNBE. "Vejo essa mudança com muita alegria, o discurso de que só o mercado salva e as ações governamentais nessa direção estavam levando o país a maior concentração de renda e à desindustrialização", complementa Eugênio Staub, do grupo Gradiente e diretor da FIESP. A redefinição do papel do Estado na economia passou a ser discutida,
52434 entre empresários, na perspectiva de uma relação de parceria"" com o setor privado, que, em alguns segmentos, contaria com proteção ao mercado nacional. Essas idéias têm sido saudadas pelos mais antigos adversários do neoliberalismo-- as centrais trabalhistas, especialmente a CUT, braço sindical do PT. "Há uma ruptura com o discurso neoliberal", festeja a CUT, em um de seus mais recentes documentos" (GM).