O mais recente estudo sobre o fluxo de recursos externos para os países em desenvolvimento, divulgado ontem pelo Banco Mundial (BIRD), foi concluído com uma advertência direta aos governos desses países. Depois de informar que os investimentos passaram a ser feitos mais por aplicadores privados, o informe conclui: "A principal lição da crise da dívida é que, para se conseguir um crescimento econômico de êxito, é preciso mais do que financiamento externo: é preciso mobilizar recursos internos e promover sólidas políticas econômicas". A pesquisa abrangeu os últimos três anos, quando houve um aumento de 130% na transferência de recursos externos para os países em desenvolvimento, chegando a um volume total de US$89 bilhões este ano. Desse total, a América Latina ficou com US$36 bilhões, sendo o México o maior beneficiário de investimentos diretos: US$6,2 bilhões. A Argentina veio em segundo, com US$2,49 bilhões o Brasil em terceiro, com US$2 bilhões. As aplicações privadas passaram a ter um papel mais destacado nesses fluxos. Segundo o BIRD, uma parte significativa desse dinheiro entrou na região através da aquisição de bônus e de aplicações em bolsas de valores. O informe do Banco Mundial revela também que o Brasil ainda tem a maior dívida externa do Terceiro Mundo. O país chegará ao fim de 1992 com um débito de US$116,514 bilhões, seguido por México (US$101,737 bilhões); as repúblicas da antiga União Soviética (US$67,236 bilhões), e a Argentina (US$63,707 bilhões). O BIRD projeta o total da dívida dos países em desenvolvimento no final deste ano em US$1,7 trilhão, contra US$1,61 trilhão em 1991. O banco considera que o pior da crise da dívida externa já passou, mas a recuperação em alguns países devedores ainda é frágil. Segundo o BIRD, os indicadores da economia brasileira, em 1991, eram os seguintes: dívida externa total (US$116,514 bilhões), dívida de longo prazo (US$95,130 bilhões), dívida pública garantida (US$87,477 bilhões), dívida privada não garantida (US$7,653 bilhões), uso de créditos do FMI (US$1,238 bilhão), dívida de curto prazo (US$20,147 bilhões), repagamentos do principal (US$5,230 bilhões), pagamentos de juros (US$5,524 bilhões), total do serviço da dívida (US$10,754 bilhões), PIB (US$404,055 bilhões (O Globo) (FSP).