MINISTRO DA FAZENDA DEIXA O GOVERNO

O ministro da Fazenda, deputado federal Gustavo Krause, pediu demissão ontem em caráter irrevogável. O cargo será ocupado interinamente pelo ministro do Planejamento, Paulo Haddad, até que seja escolhido o novo ministro. Em sua carta de demissão, Krause afirmou que sua saída é a forma mais adequada de manter íntegra a sua "vontade de servir". Assessores de Krause e políticos ligados ao ministro demissionário atribuíram sua queda ao desgaste sofrido, nos últimos dias, com as consultas realizadas pelo presidente em exercício, Itamar Franco, ao economista Dércio Garcia Munhoz. Dércio e o presidente do Banco do Brasil, Alcir Calliari, apareceram nos últimos dias na linha de frente de uma corrente econômica que defende teses contrárias à política de Krause, como a redução dos juros e a retomada do crescimento econômico. Fontes do governo informaram que o presidente estaria estudando também um programa de prefixação de preços e salários, o Plano D, cuja autoria Dércio e Calliari negam. O ministro Paulo Haddad disse que a saída de Gustavo Krause não irá acarretar mudanças nos rumos da política econômica do governo. Haddad descartou também a adoção de uma política econômica de combate à inflação baseada na prefixação de preços, salários e câmbio. A saída de Krause, que ficou 74 dias no cargo, agitou o mercado financeiro. O dólar no mercado paralelo chegou a ser cotado a Cr$13.400,00 e fechou em Cr$13.100,00, com alta de 2,34%. Os títulos da dívida externa renegociada em 1988 despencaram de 28 centavos de dólar para 25,5. Os chamados bônus Jório que o governo emitiu no mês passado, em pagamento de uma parte dos juros atrasados da moratória de 1989, caíram na mesma proporção, de 59 para 56,6 centavos. Desde o golpe militar de 1964, o país já teve 12 ministros da Fazenda ou Economia. O campeão na troca de ministros foi o presidente José Sarney, com quatro, que se notabilizou também pelos pacotes econômicos (O ESP) (GM) (JB) (FSP) (O Globo).