O governo adiou ontem por 90 dias os leilões do Programa Nacional de Desestatização. A venda da CSN (Companhis Siderúrgica Nacional), marcada para o dia 22, passou para cinco de abril. O leilão da Poliolefinas, previsto para amanhã, passou para 18 de março. O presidente do BNDES, Antônio Barros de Castro, disse que a medida decorre da preocupação do mercado com as novas regras das vendas. O objetivo é adaptar as privatizações às novas regras que serão definidas pela Consultoria Geral da República e pelo BNDES. Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o presidente Itamar Franco disse que irá manter a política privatista. "Não haverá interrupção e as novas diretrizes darão mais agilidade, transparência e, sobretudo, maior segurança ao Programa Nacional de Privatização", diz a nota. O presidente também decidiu que será definido, caso a caso, em edital próprio, o percentual de pagamento pelas empresas que não seja em moeda corrente. A participação de investidores estrangeiros nos leilões, hoje limitada a 40%, poderá atingir 100% nas empresas consideradas não estratégicas. Itamar também demitiu o presidente da CSN, Roberto Procópio Lima Neto. Para o seu lugar foi indicado Sebastião Faria de Souza, diretor de operações da CSN. O governo investiga manobra pela qual diretores da siderúrgica se beneficiariam de parte das ações reservadas aos trabalhadores da empresa. O cronograma de privatizações previa para este ano a venda de 22 empresas. Apenas 14 leilões ocorreram. Desde 1991, quando foi instituído o Programa Nacional de Desestatização, 18 companhias foram passadas para a iniciativa privada, 15 delas ainda na gestão Collor (O ESP) (JB) (GM).