PRECARIEDADE NA OPERAÇÃO DE EQUIPAMENTOS RADIATIVOS

Das 500 indústrias brasileiras que usam equipamentos radiativos no controle da produção, apenas 45% operam os aparelhos com pessoal qualificado e só 30% delas treinam periodicamente seus empregados para lidar com essa técnica de risco. Os números fazem parte de um levantamento feito pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) com o objetivo de avaliar a qualidade, a manutenção e a operação dessas máquinas no país. As fontes radiativas têm várias aplicações nas indústrias, como o controle de fissuras e outros defeitos em peças que saem da linha de produção, submetidas a radiografias por raios X ou gama. A radiatividade é usada ainda na perfilação de poços de petróleo e na esterilização de produtos médicos. O diagnóstico elaborado pela CNEN revela ainda que 30% das indústrias não têm cadastro de suas fontes radiativas e, por isso, desconhecem sua intensidade, o que significa uma grave infração às normas que regulam o uso desses equipamentos. Uma pesquisa anterior, realizada em 1990 pela CNEN no Rio de Janeiro, mostrou que o problema é ainda maior entre os equipamentos de uso médico e odontológico. No Brasil há mais de 5.500 estabelecimentos de radiologia, que operam entre 60 mil e 80 mil aparelhos de raios X, sem contar outras fontes de radiação usadas na medicina nuclear. Desse total, 78% apresentaram problemas como tempo de exposição à radiação bem acimda do necessário para se obter uma radiografia, além de defeitos da blindagem dos equipamentos e da falta de medidas de proteção individual do trabalhador (GM).