URUGUAI REJEITA LEI DE PRIVATIZACÃO

Os eleitores uruguaios rejeitaram, com 71,57% dos votos do plebiscito do último dia 13, os cinco principais pontos do programa de privatizações do presidente Luis Alberto Lacalle. A oposição apontou o resultado como uma rejeição à política neoliberal do governo. Milhares de pessoas saíram às ruas para festejar a derrota da lei. Lacalle foi à TV no próprio dia 13 para reconhecer a derrota. "A cidadania revogou a lei de empresas públicas", disse. O presidente convocou a classe política a debater amplamente a reforma do Estado. Quase todos os setores políticos uruguaios concordam em que é preciso reformar o Estado e remover sua pesada máquina burocrática. A forma de mudança é que gera discórdias. A lei derrotada no plebiscito foi discutida por 16 meses e aprovada por maioria apertada em setembro de 1991. O Uruguai é um país em que o Estado monopoliza as comunicações telefônicas, ferrovias, produção e distribuição de energia elétrica, distribuição de petróleo, construção de estradas etc. Tem uma tradição de leis sociais pioneira na América Latina. Hoje, um em cada cinco trabalhadores é funcionário público (FSP).