O presidente Itamar Franco receberá na reunião ministerial dos próximos dias 18 e 19 um quadro do aumento da pobreza na década de 90 e da ineficiência dos gastos do governo com os programas sociais. A área econômica mostrará que há 14,4 milhões de famílias, o que corresponde a 64,5 milhões de pessoas, com renda familiar inferior a meio salário- mínimo, Cr$261.093,47 em dezembro. De acordo com o documento "Brasil: Indicadores Sociais", elaborado pelo IPEA, dessas 14,4 milhões de famílias, 3,5 milhões, o que representa 33,5 milhões de pessoas, são classificadas como Indigentes". Isso quer dizer que essas famílias possuem uma renda igual ou inferior a um quarto do salário-mínimo, cerca de Cr$130.546,73 em dezembro. O déficit habitacional é de 10 milhões de unidades. E de cada 100 crianças matriculadas na primeira série do ensino fundamental, apenas 20 chegam a terminar a oitava série. A avaliação do IPEA é que a ineficiência na educação se deve à preocupação dos governos com a "mera construção e ampliação de escolas", sem concentrar esforços para a melhoria da qualidade do ensino. Apesar desses cenários, a equipe econômica vai tentar convencer Itamar que somente a redução gradual da inflação e dos juros, através do ajuste fiscal, permitirá a retomada do crescimento, com diminuição da concentração de renda. Os programas compensatórios exigidos pelo presidente funcionarão apenas como paliativos para a crise (FSP).