Responsável pela subsidiária do segundo maior conglomerado farmacêutico do mundo, Jorge Raimundo Filho, presidente da Glaxo do Brasil, decidiu partir ao contra-ataque para defender o setor das críticas que vem sofrendo do presidente Itamar Franco. "Quem não tem acesso a medicamento infelizmente também não tem acesso ao sapato", diz Raimundo, argumentando que política social é algo que cabe ao governo e não à indústria farmacêutica. Ele afirma que a insistência do governo em forçar descontos nos preços não passa de populismo. Raimundo diz que a idéia do governo de produzir medicamentos só se viabilizará à custa de subsídios pagos pelo contribuinte. Ele sugere que, em vez disso, o governo use a capacidade ociosa das empresas privadas com encomendas a serem fornecidas de graça aos que não possam pagar. A Glaxo do Brasil é um laboratório pequeno, Fatura US$40 milhões por ano e ocupa o 19o. lugar no "ranking" do setor, com participação de 2% no mercado. Raimundo diz que a Glaxo britânica, que tem a liderança mundial em investimentos em pesquisa (US$1 bilhão por ano), não investe no Brasil devido à ausência de patentes que protejam a propriedade intelectual (FSP).