ENTIDADE LANÇA BASES PARA RELAÇÕES EUA-AMÉRICA LATINA

As relações entre EUA e América Latina a partir de 1993 devem ter como objetivo a integração econômica de todos os países democráticos e respeitadores dos direitos humanos no hemisfério; a preocupação com o crescimento material deve ter como contrapartida ênfase similar para reduzir a pobreza e os desníveis sociais. Em síntese, essas são as conclusões de relatório divulgado ontem, em Washington (EUA), pelo Inter-American Dialogue, entidade que reúne políticos e intelectuais do hemisfério ocidental, a respeito das perspectivas desta parte do mundo para o futuro. O documento se chama Convergência e Comunidade. O Inter-American Dialogue ganhou maior importância a partir da eleição de Bill Clinton à Presidência dos EUA, porque muitos de seus líderes são aliados políticos do futuro presidente. Entre eles, o ex-governador do Arizona, Bruce Babbitt, visto como um dos mais fortes candidatos ao cargo de secretário do Comércio. Babbitt e seus colegas defendem a tese de que os ideais de democracia já estão entranhados nas sociedades da América Latina. O presidente da Inter-American Dialogue, Richard Feinberg, é um dos cotados para responsável pela América Latina no governo Clinton. O documento foi assinado por 94 pessoas. Entre elas: o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, o ex-secretário-geral da ONU Javier Pérez de Cuéllar, o ex-secretário de Defesa dos EUA e ex-presidente do Banco Mundial Robert McNamara, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, o ex-presidente argentino Raúl Alfonsín. Os brasileiros que assinaram o documento foram: o presidente nacional do PT Luís Inácio Lula da Silva (que discordou de algumas das recomendações, em especial às relativas à integração regional), o ex-ministro Celso Lafer (que também deixou de endossar alguns pontos), a diretora da FGV Celina Vargas do Amaral Peixoto, o presidente da Editora Abril, Roberto Civita, o banqueiro Paulo Lemann e a cientista social Jacqueline Pitanguy (FSP).