FISIOLOGISMO NO ORÇAMENTO AJUDA PRESIDENCIALISTAS

A principal argumentação dos presidencialistas para enfrentar os parlamentaristas no plebiscito de abril de 1993 está sendo montada dentro do próprio Congresso Nacional. As irregularidades verificadas nas votações do Orçamento Geral da União serão utilizadas por eles como uma das maiores críticas à adoção do parlamentarismo. Os presidencialistas vão argumentar que o fisiologismo de parlamentares na disputa pela aprovação de emendas que beneficiem suas bases eleitorais descredencia o Congresso como a principal fonte de poder do país, o que ocorreria com o parlamentarismo. Sem dúvida, é um golpe baixo, mas com grande eficiência perante a
52309 opinião pública, disse o deputado presidencialista Paulo Bernardo (PT- PR), membro efetivo da Comissão Mista de Orçamento e responsável por uma operação pente-fino que está rastreando as irregularidades ocorridas na aprovação de 30 sub-relatórios preliminares. Esta estratégia dos presidencialistas preocupa os parlamentaristas, que já preparam respostas. Teme-se que esta argumentação poderá ser eficiente perante os eleitores menos esclarecidos. Sem poder negar que houve fisiologismo na aprovação dos relatórios parciais, o senador José Richa (PSDB-PR), presidente da Frente Parlamentarista Ulysses Guimarães, admitiu que "uma das grandes mazelas do Congresso é a Comissão de Orçamento". Até agora, os parlamentaristas não têm argumentos para o contra-ataque. Richa diz apenas que as críticas dos presidencialistas são demagógicas e idiotas. Para ele, "a responsabilidade pelo fisiologismo é dos presidencialistas e não do Congresso" (FSP).