FECUNDIDADE MENOR ENTRE OS BRASILEIROS

A queda da fecundidade da população brasileira-- em torno de 60% nos últimos 25 anos-- não é mais um fenômeno que se dá apenas entre as classes média e alta, mas já atingiu os indivíduos de baixa renda até no nordeste do país. A afirmação é do demográfo e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, professor José Alberto Magno de Carvalho. Segundo ele, o censo de 1991 veio não só confirmar o que se pensava, ou seja, o rápido declínio da fecundidade no Brasil, mas demonstrou que essa queda foi até maior do que o esperado nas projeções. Esse declínio tem, de imediato, duas consequências, na opinião do professor. A primeira é um desaceleramento no ritmo de crescimento da população brasileira. "Ele era de 3%, caiu para 1,9% na década passada e agora será provavelmente de 1,4% ao ano", afirma. "A outra consequência é uma profunda modificação na distribuição etária da população". Carvalho explica que, com isso, está havendo o que ele chama de "um estreitamento na base da pirâmide demográfica brasileira". Por exemplo, a população abaixo dos 10 anos entre 1990 e o ano 2000 não vai aumentar, isto é, terá um crescimento médio anual zero. Mas ele adianta que esse fato também está se refletindo na outra extremidade da população, no caso os idosos. "Para se ter uma idéia, se em 1970 tínhamos em torno de 3,5% da população com 65 anos ou mais, no ano 2020 a taxa será de 10% lá para o meio do próximo século esse índice subirá para 15%", observa (JC).