GARIMPO ILEGAL DEVASTA ÁREA INDÍGENA

A devastação causada pelo garimpo ilegal nos rios Mauá, Cotingo e Quinô, que cortam terras indígenas em Roraima, está criando polêmica entre órgãos estadual e federal. A pedido da Procuradoria Geral da República, o IBAMA e a Secretaria do Meio Ambiente de Roraima vistoriaram a área, mas seus relatórios demonstram as divergências no tratamento do assunto. Para o IBAMA, a área deve ser imediatamente interditada ao garimpo, enquanto a Secretaria defende a exploração dos rios com o uso de técnicas não poluentes. O órgão estadual propõe a criação de uma entidade para coordenar o garimpo e combater a poluição. Já o relatório do IBAMA destaca que o garimpo nos três rios não está licenciado e sugere impor aos poluidores a obrigação de recuperar ou indenizar os danos causados ao meio ambiente. Se divergem no tratamento, os órgãos ambientais concordam no diagnóstico: a ação de cerca de cinco mil garimpeiros desde o início do ano está condenando à degradação um dos ecossistemas mais diversificados da Amazônia. As águas dos rios Quinô, Mauá e Cotingo, nas imediações da fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana Inglesa, são turvas e poluídas por mercúrio. Nas margens-- onde vivem cerca de 11 mil índios macuxi, taurepanga, wapixana e ingaricó-- existem imensas crateras provocadas por escavação mecânica (O Globo).