FAO DISCUTE PLANO PARA A NUTRICÃO

O mundo já tem um plano para eliminar a fome e a desnutrição. A mesma conferência que o aprovou com o consenso de 164 países, no plenário da FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura), afirmou a vontade de implementá-lo a partir de 1994. Um dos promotores da Conferência sobre a Nutrição, realizada em Roma (Itália), Hiroshi Nakajima, diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), afirmou que "com esta declaração passamos a ser arquitetos de uma nova ordem mundial de nutrição". O problema é encontrar dinheiro para concretizar o plano. O difícil é
52262 saber onde estariam os recursos para suprir, como recomenda o plano, a
52262 carência de vitamina A registrada em quase todo o Nordeste do Brasil, que
52262 na América Latina, segundo a FAO, é comparável apenas à do Haiti, observa um delegado brasileiro. A falta de recursos faz-se dramática quando se sabe que organismos como a FAO e a OMS trabalharão em 1993 com orçamentos insuficientes. Em seis dias de reuniões, os 1.400 delegados dividiram-se sobre os artigos 9o. e 15o. da Declaração. No primeiro caso, a discordância foi liderada pelo México, apoiada pelos países latino-americanos e Holanda, contrários à tese da Ingerência humanitária" em guerras, ocupações, crises civis e catástrofes naturais. Receando que tais situações possam oferecer pretexto a ocupações militares bateram-se por uma alteração no texto. Devem ser respeitadas a soberania, a integridade territorial e a unidade nacional, de acordo com a Carta das Nações Unidas. O México fez uma declaração separada, que não consta da Declaração Mundial, mas foi incluída na ata. O que prevaleceu foi a afirmação de que todas as partes responsáveis deverão cooperar para garantir o trânsito dos alimentos e remédios para quem necessitar (JB).