DEGRADAÇÃO ATINGE 80% DO CERRADO BRASILEIRO

Aproximadamente 80% dos 45 milhões de hectares ocupados com pastagens cultivadas no cerrado brasileiro encontram-se em processo de degradação, o que vem refletindo negativamente na produtividade dos rebanhos da região. Os dados são do Centro de Pesquisas Agronômicas do Cerrado (CPAC), da EMBRAPA. O cerrado brasileiro, com 204 milhões de hectares (um quarto do território nacional), abriga 40% do rebanho bovino do país. A pastagem nunca foi tratada como uma cultura anual. Na concepção da
52231 maior parte dos pecuaristas, ela é eterna, diz o pesquisador Alexandre Barcellos, do CPAC. Para ele, a recuperação das áreas degradadas, além de melhorar a produtividade dos rebanhos, evitaria a pressão de expansão de fronteiras em direção à pré-Amazônia. "Muitas vezes é mais barato adquirir novas terras do que corrigir a degradação, já que os insumos são caros", afirma o presidente da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Eduardo Biagi. Para agravar a situação, existe falta de intercâmbio entre os centros de pesquisa, com possíveis soluções para o problema, e os pecuaristas, reconheceu o dirigente. Para recuperar um hectare de pastagem utilizando técnicas como a gradagem do solo e aplicação corretiva de adubos, o custo total é de US$150, conforme cálculos do CPAC. Somando-se a esse tipo de manejo o plantio consorciado de leguminosas, o custo sobe para US$180 por hectare (GM).