A operação de pagamento dos juros da dívida externa efetuada em novembro, que gerou um déficit de Cr$9,7 trilhões, permitiu à Secretaria do Tesouro Nacional resgatar US$5,3 bilhões (Cr$45 trilhões) da dívida interna mobiliária, representada por títulos que estavam na carteira do Banco Central. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Murilo Portugal, o governo trocou dívida interna por dívida externa, e com isso fugiu de papéis com prazo médio de 10 anos e juros de 30% ao ano, passando a pagar juros de 8% ao ano em títulos com prazo de 10 anos. O secretário lembrou que o déficit apurado pelo Tesouro em novembro não significa que o governo tenha abandonado a política de austeridade fiscal. Diz que ele já estava previsto desde o início do ano e foi consequência da quitação de dívida e não do aumento de despesas. Em todo o mês, o Tesouro arrecadou Cr$30,719 trilhões e gastou Cr$40,463 trilhões, incluindo o pagamento antecipado de juros decorrentes do resgate de dívida interna. A diferença foi coberta com superávits acumulados desde janeiro, restando ainda nos cofres do Tesouro CR$1,654 trilhão. O próximo pagamento de juros, referentes ao segundo semestre de 1992, será em janeiro, no valor de US$304,4 milhões. Em novembro, o Banco Central também registrou o ingresso no país de US$1,580 bilhão, mas US$585 milhões correspondem a financiamentos de médio e longo prazos concedidos por organismos multilaterais que não têm, portanto, impacto cambial imediato. Entre os recursos captados no exterior com características de entrada a curto prazo, destaca-se os US$345,3 milhões de investidores institucionais estrangeiros destinados diretamente às bolsas de valores (US$50 milhões a menos que em outubro). O pagamento antecipado de exportação representou no mês passado o ingresso no país de US$169,2 milhões (US$179,4 milhões em outubro) (JB) (GM).