PARLATINO SERÁ INAUGURADO AMANHÃ EM SÃO PAULO

América Latina, capital São Paulo. Lá estarão convivendo parlamentares de 23 países latino-americanos a partir de amanhã, quando será inaugurada a sede permanente do Parlamento Latino-Americano, ou Parlatino. Primeira instituição internacional sediada no Brasil, ela ficará em um prédio de cinco andares no Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda. Desde a fundação em 1964, o Parlatino foi nômade durante 13 assembléias ordinárias, cinco extraordinárias, 60 reuniões de comissões permanentes e em 10 Conferências Interparlamentares Europa-América Latina. Em 1991 a cidade de São Paulo foi aprovada como sede permanente. O governo paulista vai investir US$3,75 milhões anuais, por três anos, a partir de 1993, para cobrir as primeiras despesas com pessoal e administração. Segundo o vice-presidente do conselho consultivo do Parlatino, ex- governador Franco Montoro, o Parlamento Latino-Americano terá uma função fiscalizadora das comissões de inquérito e dos projetos na região, e deverá envolver-se nas investigações contra o narcotráfico e a corrupção internacional. Como seu poder é legislativo e não executivo, não se chocará com a OEA (Organização dos Estados Americanos), em que terá um observador. Os 23 países que compõem o Parlatino são: Antilhas Holandesas, Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela. A instalação do Parlatino em São Paulo já criou problemas antes mesmo de se concretizar. O presidente da Argentina, Carlos Menem, comparou-o a uma grande agência de turismo. E 12 deputados argentinos protestaram contra a criação do cargo de superintendente de sede, "que não existe nos regulamentos", e a destituição do ex-senador Marcondes Gadelha, diretor- executivo substituído pelo venezuelano Luis Corona. Segundo o superintendente Fernando Gasparian, esse cargo foi criado porque "o governo paulista quer um brasileiro prestando contas da verba dos primeiros três anos, pois ela sairá do orçamento do estado" (O ESP).