ENCARGOS DA DÍVIDA PROVOCA DÉFICIT AO TESOURO

O Tesouro Nacional teve em novembro um déficit de Cr$9,74 trilhões, o primeiro em 33 meses. Foi um saldo negativo apenas contábil, por causa do pagamento de parcelas da dívida externa vencida em 1991 e parte deste ano. Este é um déficit apenas sazonal e contábil, afirmou o presidente Itamar Franco. Para ele, o lançamento dos bônus da dívida vencida em 1991 e parte de 1992, negociados pelo governo Collor, é uma prova de que sua administração está "honrando os acordos da dívida externa". No ano passado, a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello acertou com os banqueiros que trocaria a dívida a vencer nesses dois anos por bônus de 10 anos assim que o Brasil fizesse a renegociação geral da dívida externa com banqueiros privados. As empresas devedoras, no entanto, foram depositando os cruzeiros no Banco Central, o que somou US$5,3 bilhões. Em novembro, o Brasil emitiu os bônus da dívida e começou a entregá-los aos credores externos. O Tesouro Nacional, por sua vez, resolveu então ficar com o dinheiro dessa dívida depositada no BC-- a qual tem custo baixo, pois os juros internacionais estão na faixa de 8% ao ano-- e repassou ao BC, em troca, títulos da dívida no valor de Cr$49,3 trilhões. A troca contábil, que não obrigou o BC a vender títulos no mercado em nome do Tesouro, gerou o déficit (JB).