A Comissão de Orçamento ignorou o superfaturamento de trechos de rodovia, a falta de critérios para a distribuição dos recursos e os protestos de parlamentares e aprovou, ontem, o relatório sobre os recursos destinados ao DNER. Revoltados com o que consideraram um "rolo compressor" armado pelo PMDB com a ajuda do presidente da Comissão, deputado Messias Góis (PFL- SE), os parlamentares do PSDB, do PDT, do PT, do PDS e parte do PFL decidiram procurar na semana passada o ministro dos Transportes, Alberto Goldman, para demonstrar a ele as irregularidades. Caso Goldman não resolva as distorções, os partidos denunciarão o fato ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira. O orçamento do DNER para o Acre, por exemplo, destina Cr$380 bilhões para a pavimentação da BR-364, mas apenas no trecho em que a estrada já é pavimentada. Outros trechos de estradas estavam superfaturados em até sete vezes o valor médio para a recuperação de uma rodovia. A aprovação do relatório do DNER, apesar da forte oposição, foi possível graças a uma inovação criada este ano para acelerar os trabalhos da Comissão. Várias subcomissões analisaram partes do Orçamento. Somente os membros de uma subcomissão votavam o relatório parcial. Assim, apenas 16 membros da subcomissão de Infra-estrutura votaram o relatório do DNER (O Globo).