O governo do Distrito Federal deu sua receita orçamentária como garantia ao BNDES no contrato de financiamento do metrô. Se o BNDES executar tal garantia em caso de atraso nos pagamentos, o DF ficará privado dos recursos de que dispõe para funcionar. De acordo com procuradores da República ouvidos por este jornal, a garantia é ilegal. O contrato firmado pelo governador Joaquim Roriz (PTR), de US$300 milhões, joga essa bomba de efeito retardado para seu sucessor: as prestações da dívida só começam a vencer no próximo mandato. A construção do metrô foi a grande promessa de Roriz na campanha eleitoral de 90. O promotor de Justiça do DF, Diaulas Costa Ribeiro, denunciou a irregularidade e vai encaminhar nesta semana representação ao Ministério Público contra o contrato. Com custos previstos da ordem de US$600 milhões, o metrô de Brasília-- na verdade um pré-metrô, com tecnologia menos avançada-- é uma obra de necessidade polêmica. Ainda não estão esgotadas todas as possibilidades de melhoria no sistema de transportes rodoviários na cidade. Para a construção do metrô, o BNDES está entrando com US$300 milhões, a União com US$150 milhões e o DF com outros US$150 milhões. Para dar conta de sua participação, o DF precisou encurtar recursos em outras áreas (FSP).