O Projeto Jari vai dar lucro em 1992. É a primeira vez em 25 anos, desde que foi iniciado pelo armador norte-americano Daniel Keith Ludwig, no meio da selva amazônica. Ludwig, morto em 27 de agosto passado, abandonou o projeto em 82, depois de torrar parte de sua fortuna. No Jari produz-se, principalmente, celulose. Sua viabilidade só foi conquistada em 88. O lucro operacional multiplicou-se por quatro nos três últimos anos. Será de US$13 milhões em 92. "O resultado líquido vai ser irrisório, mas simbólico", diz Eduardo Netto Alves Barreto, presidente da Companhia Florestal Monte Dourado. Monte Dourado é a "holding" de 23 empresas nacionais, lideradas pelo grupo Caemi, que assumiu o Jari em 82. É também o nome da cidade de 18 mil habitantes que nasceu na Amazônia. O grupo Caemi tem outras empresas (fora da "holding" e rentáveis) na região. A mineradora Sta. Lucrécia, que explora a bauxita (para refratários) e a Cadam, para acabamento de papel. O Jari trabalha hoje a 95% da capacidade de 300 mil toneladas por ano de celulose. Exporta 80% de tudo. Consome 1,5 milhão de toneladas/ano de madeira plantada em 110 mil hectares (tem permissão até 160 mil) e faturou US$150 milhões em 91 (FSP).