A existência de mais de 780 milhões de pessoas (20% da população dos países subdesenvolvidos) sofrendo de desnutrição crônica não abala as esperanças dos representantes da primeira Conferência Internacional sobre Nutrição (CIN) iniciada no último dia cinco na sede da FAO (Organização de Agricultura e Alimentação da ONU) em Roma (Itália). Segundo a ONU, 40 mil crianças morrem diariamente de fome e dois bilhões de pessoas sofrem de carências alimentares geradoras de cegueira e retardamento mental. O diretor-geral da FAO, Edouard Saouma, no entanto, recorda que as estatística já foram muito piores. "Nos últimos 20 anos registraram-se progressos notáveis. O aumento do número de bocas para alimentar registrado nas últimas duas décadas-- de mais de 1,8 bilhão-- não impediu a diminuição das vítimas de desnutrição crônica, de fome quase total. Antes elas eram 940 milhões, hoje são 786 milhões, o que quer dizer uma queda de 36% para 20% da população mundial". Sozinha a Conferência não erradicará a fome e a malnutrição. Não foi
52102 para isso que ela foi convocada, disse Saouma. Para ele, acima de tudo, a CIN dispõe-se a agir como um veículo para um compromisso, para a criação de uma vontade política e de uma visão mundial do futuro que hoje não existem. O que ele espera, dos cinco dias de reuniões, e que a CIN possa criar o clima necessário para continuar a ação que enfrente não só os sintomas como também as causas da fome e da malnutrição (JB).