SEM-TETO PROMETEM RECORRER ÀS OCUPAÇÕES PARA EVITAR RETROCESSO

Antes mesmo de assumir o governo municipal, o prefeito eleito de São Paulo, Paulo Maluf (PDS), enfrenta problemas numa área que se anuncia como uma das mais explosivas de sua administração: a moradia popular. Uma declaração do futuro secretário de Habitação, João Mellão Neto-- que afirmou que "90% dos favelados são bandidos" ao anunciar um plano de remoção de favelas das áreas nobres--, revoltou lideranças do movimento dos sem-teto. Maluf exigiu uma retratação pública de Mellão, mas os sem- teto já prometem recorrer às ocupações de terra para evitar um retrocesso na política habitacional. A incontinência verbal de seu secretário não é o único motivo de preocupação para Maluf. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu entregar 120 mil casas populares durante os quatro anos de seu governo. É uma meta difícil de ser atingida: o projeto consumiria US$2,8 bilhões, o equivalente ao dinheiro que a prefeitura dispõe para gastar na cidade por um ano. A promessa, entretanto, será cobrada como dívida pelos sem-teto (O ESP).