O Brasil pretende que o Fundo Monetário Internacional (FMI) passe uma borracha no período de turbulência político vivido pelo país entre a ascenção de Itamar Franco e a queda de Fernando Collor. São nada menos do que seis meses-- os últimos três meses de Collor e o trimestre da interinidade de Itamar até o desfecho do impeachment-- que seriam desconsiderados na avaliação do Fundo sobre o desempenho da economia brasileira. O argumento básico da proposta que vem sendo preparada pela equipe econômica é o de que o desempenho da economia brasileira e sua gestão foram profundamente afetados pela crise política. O que se pretende é que a avaliação técnica do FMI tenha agora como ponto de partida janeiro do próximo ano, quando Itamar Franco já estiver definitivamente confirmado como presidente. A equipe brasileira que esteve conversando com o FMI há uma semana voltou ao país convicta de que será possível desconsiderar este semestre. Seus integrantes ouviram várias advertências sobre a necessidade de se conseguir um superávit elevado nas contas públicas, obtido ou por aumento da arrecadação-- como prevê o ajuste fiscal-- ou por cortes pesados nos gastos públicos. Na última carta de intenções aprovada pelo Fundo, o governo se comprometeu a fechar 1992 com um superávit primário de 3% do PIB (diferença entre despesas e receitas não-financeiras), ou seja, um saldo positivo nas contas públicas de pelo menos US$12 bilhões. A promessa de superávit por pouco não está se transformando em déficit, por causa da queda de arrecadação e dos problemas econômicosa que vieram com o processo de impeachment (JB).