EX-SOLDADO FALA SOBRE TORTURAS

O ex-soldado Marco Aurélio Magalhães disse que não tem dúvidas de que o ex-deputado Rubens Paiva esteve preso em 1971 no quartel do 1o. Batalhão da Polícia do Exército, na Barão de Mesquita, no bairro Tijuca (RJ). Ele contou que ao ingressar naquela unidade, em 15 de maio de 1971, três meses após o desaparecimento de Paiva, uma de suas funções era conduzir pressos a sessões de tortura, as quais presenciava. Afirmou nunca ter ouvido mencionarem o nome de Paiva, mas jamais esqueceu um alerta repetido por militares: "cuidado, bate devagar, olha o caso do deputado". Magalhães, que hoje participa da campanha do PMDB em Volta Redonda, onde mora, disse ter testemunhado, até dar baixa em 72, a tortura de vários presos e relaciona codinomes de supostos torturadores (tenentes "Avolio e Vale", o sargento "César" e o cabo "Gil"). "A partir de agosto de 1971 as torturas ficaram mais sofisticadas", disse. Marco Aurélio disse também que pelo que conheceu do tenente-médico Amílcar Lobo Moreira da Silva-- que há duas semanas denunciou ter atendido o ex-deputado Rubens Paiva agonizando no quartel da PE, em janeiro de 1971--, disse que "ele era basicamente um burocrata, que nunca se integrou na unidade militar, e sua função era testar a capacidade dos presos, relatar se eles aguentariam novas torturas ou não" (FSP).