Mantido em sigilo até agora, o relato da missão de técnicos brasileiros, enviada a Washington (EUA) há duas semanas para contatos com instituições internacionais de crédito, é pessimista em relação às negociações do Brasil com o FMI. O Fundo não aceitou a proposta brasileira de negociar com base em uma previsão de inflação de 13% em dezembro de 1993. Quer uma queda da inflação bem mais forte e metas de superávit nas contas públicas bem superiores às acertadas com a equipe do ex-ministro Marcílio Marques Moreira. É o que eles chamam de overkilling: o não cumprimento das metas
52060 acertadas exige objetivos mais rígidos para o prosseguimento do programa, explicou um funcionário do governo que ouviu o relato da missão. Um dos primeiros passos da futura equipe negociadora brasileira será a discussão para apresentar um pedido ao Fundo para que desconsidere o não cumprimento das metas anteriores (o chamado "waiver"). A seguir virá a negociação das metas econômicas, que o ministro do Planejamento, Paulo Haddad, já previu que será "dura". Para o FMI, não seria produtivo iniciar as negociações sem propostas concretas de ajuste fiscal (O Globo).